<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898</id><updated>2011-07-28T12:20:20.544+01:00</updated><title type='text'>Cotta Club</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>34</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-113556684718064244</id><published>2005-12-26T02:48:00.000Z</published><updated>2005-12-26T03:14:07.196Z</updated><title type='text'>Natal</title><content type='html'>Como foi? Foi bom? Como se o Natal fosse. O Natal não é. O Natal acontece. O melhor é não falar nisso, senão escrevia coisas e loisas, que é como quem diz. Mas se o teu Natal foi bom, ainda bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que música escutas tão atentamente&lt;br /&gt;que não dás por mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bosque, ou rio, ou mar?&lt;br /&gt;Ou é dentro de ti&lt;br /&gt;que tudo canta ainda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria falar contigo,&lt;br /&gt;dizer-te apenas que estou aqui,&lt;br /&gt;mas tenho medo,&lt;br /&gt;medo que toda a música cesse&lt;br /&gt;e tu não possas mais olhar as rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo de quebrar o fio&lt;br /&gt;com que teces os dias sem memória.&lt;br /&gt;Com que palavras&lt;br /&gt;ou beijos ou lágrimas&lt;br /&gt;se acordam os mortos sem os ferir,&lt;br /&gt;sem os trazer a esta espuma negra&lt;br /&gt;onde corpos e corpos se repetem,&lt;br /&gt;parcimoniosamente, no meio de sombras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa-te estar assim,&lt;br /&gt;ó cheia de doçura,&lt;br /&gt;sentada, olhando as rosas,&lt;br /&gt;e tão alheia&lt;br /&gt;que nem dás por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugénio de Andrade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-113556684718064244?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/113556684718064244/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=113556684718064244&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113556684718064244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113556684718064244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/12/natal.html' title='Natal'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-113322083446275865</id><published>2005-11-28T23:28:00.000Z</published><updated>2005-11-28T23:33:54.480Z</updated><title type='text'>Utopia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/146/1381/1600/p0511030.0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/146/1381/400/p0511030.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utopia é algo inatingível! Ponto!&lt;br /&gt;Partir à procura de encontrar o local onde o arco íris toca no chão é como perseguir uma utopia.&lt;br /&gt;Quando alguém mais inteligente resolver avisar-nos do nosso erro já vamos muito longe,  enquanto o inteligente fica parado no mesmo sítio:)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-113322083446275865?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/113322083446275865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=113322083446275865&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113322083446275865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113322083446275865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/11/utopia.html' title='Utopia'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-113276948059049314</id><published>2005-11-23T18:03:00.000Z</published><updated>2005-11-23T18:11:20.656Z</updated><title type='text'>Os camelos também choram</title><content type='html'>Eu tinha lido que, lá na Índia, elefantes olhando o crepúsculo, às vezes, choram. Mas agora está aí esse filme «Camelos também choram». A gente sabe que porcos e cabritos, quando estão sendo mortos, soltam gemidos e berros dilacerantes. Mas quem mata galinha, no interior, nunca relatou ter visto lágrimas nos olhos delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, esse filme sobre uma comunidade de pastores de ovelhas e camelos, lá na Mongólia, mostra que os camelos choram, mas choram não diante da morte, mas em certa circunstância que faria chorar qualquer ser humano. E, na plateia, eu vi, os não camelos também choravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós, tão afastados da natureza, olhando a dureza do asfalto e a indiferença dos muros e vitrinas; para nós que perdemos o diálogo com plantas e animais, e, por consequência, connosco mesmos, testemunhar, com aquela bela família de mongóis, o nascimento de um filhote de camelo e sua relação com a mãe é uma forma de reencontrar a nossa própria e destroçada Humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isto: eles vivem num deserto. Terra árida, pedregosa. Eles, dentro daquelas casas redondas de lona e madeira, que podem ser montadas e desmontadas. Lá fora, um vento permanente ou o assombro do silêncio e da escuridão. E as ovelhas e carneiros ali em torno, pontuando a paisagem e sendo a fonte de vida dos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucede, então, que a rotina é quebrada com o parto difícil de um camelinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isto, a mãe camela o rejeita. O filho ali, branquinho, mal se sustentando sobre as pernas, querendo mamar e ela fugindo, dando patadas e indo acariciar outro filhote, enquanto o rejeitado geme e segue inutilmente a mãe na seca paisagem. A família mongol e vizinhos tentam forçar a mãe camela a alimentar o filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vão!... «Só há uma solução», diz alguém da família: mandar chamar o músico! Ao ouvir isto, estremeci como se me preparasse para testemunhar um milagre. E o milagre começou musicalmente a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois meninos montam agilmente seus camelos e vão a uma vila próxima chamar o músico. É uma vila pobre, mas já com coisas da modernidade, motos, televisão, e, na escola de música, dentro daquele deserto, jovens tocam instrumentos e dançam, como se a arte brotasse lindamente das pedras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor de música, como se fosse um médico de aldeia chamado para uma emergência, viaja com seu instrumento de arco e cordas para tentar resolver a questão da rejeição materna. Chega. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ali no descampado, primeiro coloca o instrumento com uma bela fita azul sobre o dorso da mãe camela. A família mongol assiste à cena. Um vento suave começa a tanger as cordas do instrumento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza por si mesma harpeja sua harmónica sabedoria. A camela percebe. Todos os camelos percebem uma música reordenando suavemente os sentidos. Erguem a cabeça, aguçam os ouvidos, e esperam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, o músico retoma seu instrumento e começa a tocá-lo, enquanto a dona da camela afaga o animal e canta. E enquanto cordas e voz soam, a mãe camela começa a acolher o filhote, empurrando-o docemente para suas tetas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o filhote antes rejeitado e infeliz, vem e mama, mama, mama desesperadamente feliz!... E enquanto ele mama e a música continua, a câmara mostra em primeiro plano que lágrimas desbordam umas após outras dos olhos da mãe camela, dando sinais de que a natureza se reencontrou a si mesma, a rejeição foi superada, o afecto reuniu num todo amoroso os apartados elementos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, humanos, na plateia, olhamos aquilo estarrecidos. Maravilhados! Os mongóis na cena constatam apenas mais um exercício de sua milenar sabedoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós que perdemos o contacto com o micro e o macrocosmos ficamos bestificados com nossa ignorância de coisas tão simples e essenciais.&lt;br /&gt;Bem que os antigos falavam da terapêutica musical. Casos de instrumentos que abrandavam a fúria, curavam a surdez, a hipocondria e saravam até a mania de perseguição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que o pensamento místico hindu dizia que a vida se consubstancia no universo com o primeiro som audível -um Ré bemol e que a palavra só surgiria mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que os pitagóricos, na Grécia, sustentavam que o universo era uma partitura musical, que o intervalo musical entre a Terra e a Lua era de um tom e que o cosmos era regido pela harmonia das esferas.&lt;br /&gt;Os primitivos na Mongólia sabem disto. Os camelos também. Mas nós, os pós-modernos cultivamos a rejeição, a ruptura e o ruído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja professor de música para consertar esta pobre Pátria e os caciques locais que utilizam as verbas do erário público em despesismo criminoso, Câmaras no limite do endividamento perante a banca e, mesmo assim, banqueteiam-se alarvemente e em poses de cátedra por onde distribuem sorrisos numa autêntica «feira de vaidades»!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*secretária de administração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 de Novembro de 2005 | 14:29&lt;br /&gt;Monika Bizmark*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;in &lt;/i&gt;&lt;a href="http://www.barlavento.online.pt/"&gt;"&lt;b&gt;Barlavento&lt;/b&gt;"&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-113276948059049314?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=2825' title='Os camelos também choram'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/113276948059049314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=113276948059049314&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113276948059049314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113276948059049314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/11/os-camelos-tambm-choram.html' title='Os camelos também choram'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-113202660961034082</id><published>2005-11-15T03:35:00.000Z</published><updated>2005-11-15T03:50:09.626Z</updated><title type='text'>O Espelho e a Máscara</title><content type='html'>Há algumas pérolas na internet, não são apenas os bytes e megabytes que a habitam. E quando se descobre uma delas, há que partilhar a sua beleza.&lt;br /&gt;É ela que deixo aqui. Publicada noutro sítio, ou melhor..exibida noutro sítio, não fosse ela uma pérola fulgurante de beleza. Julgo que o dono do sítio não se importará...&lt;br /&gt;Deixo-a aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Espelho e a Máscara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Travada a batalha de Clontarf, em que o Norueguês foi humilhado, o Alto Rei falou com o poeta e disse-lhe:&lt;br /&gt;- As proezas mais claras perdem o brilho se não forem cunhadas em palavras. Quero que cantes a minha vitória e o meu louvor. Serei Eneias e tu o meu Virgílio.&lt;br /&gt;Julgas-te capaz de deitar mãos a esta empresa que a nós dois fará imortais?&lt;br /&gt;- Julgo que sim, Rei - disse o poeta.&lt;br /&gt;- Sou o Ollan. Durante doze Invernos cursei as disciplinas da métrica. De memória sei as trezentas e sessenta fábulas que são a base da verdadeira poesia. Os ciclos de Ulster e Munster estão nas cordas da minha harpa. As leis autorizam-me a prodigalizar as vozes mais arcaicas do idioma, e as mais complicadas metáforas. Domino a escrita secreta que defende a nossa arte do exame indiscreto do vulgo. Posso celebrar os amores, os roubos de gado, as navegações, as guerras. Conheço as linhagens mitológicas de todas as casas reais da Irlanda. Domino as virtudes das ervas, a astrologia judiciária, as matemáticas e o direito canónico. Num certame público derrotei os meus rivais. Adestrei-me na sátira que produz enfermidades na pele, incluindo a lepra. Sei manejar a espada, como provei na tua batalha. Só uma coisa ignoro: a forma de agradecer a honra que me dás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei, que facilmente se cansava com discursos compridos e alheios, disse aliviado:&lt;br /&gt;- Estou farto de saber essas coisas. Acabam de afirmar-me que o rouxinol já cantou na Inglaterra. Quando passarem as chuvas e neves, quando o rouxinol regressar das suas terras do Sul, hás-de recitar o teu louvor perante a corte e o Colégio dos poetas. Dou-te um ano inteiro. Vais limar cada letra e cada palavra. A recompensa, já sabes, não será indigna da minha tradição real nem das tuas inspiradas vigílias.&lt;br /&gt;- Rei, a melhor recompensa é ver o teu rosto - disse o poeta que também era um cortesão.&lt;br /&gt;Fez as suas reverências e saiu a entrever, já, alguns versos.&lt;br /&gt;Cumprido o prazo, que foi de epidemias e rebeliões, apresentou o panegírico.&lt;br /&gt;Declarou-o com segurança lenta, sem deitar uma olhadela, sequer, ao manuscrito.&lt;br /&gt;O Rei ia aprovando com a cabeça. Todos lhe imitavam o gesto, mesmo os que se aglomeravam nas portas e nem uma palavra decifravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por fim o Rei falou.&lt;br /&gt;- Aceito o teu trabalho. É outra vitória. Usaste cada vocábulo na sua acepção genuína e cada substantivo segundo o epíteto que os primeiros poetas lhe deram. Em todo o louvor não há uma única imagem que os clássicos não tenham usado. A guerra é o formoso tecido de homens e a água da espada é o sangue. O mar tem um deus próprio e as nuvens predizem o porvir. Manejaste com destreza a rima, a assonância, as quantidades, os artifícios da douta retórica, a sábia alteração da métrica. Se a literatura da Irlanda se perdesse toda - omen absit - permitiria a tua ode clássica reconstituí-la sem nenhuma falta. Trinta escribas vão transcrevê-la doze vezes.&lt;br /&gt;Fez-se um silêncio e prosseguiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo está bem, apesar de não ter acontecido nada. O sangue não corre mais depressa nos pulsos. As mãos não se agarraram aos arcos. Ninguém empalideceu. Ninguém deu um grito de guerra ou expôs o seu peito aos Vikings. No prazo de um ano, poeta, havemos de aplaudir outro louvor. Em sinal da nossa aprovação toma este espelho, que é de prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dou graças e compreendo - disse o poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estrelas do céu retomaram o seu claro curso. Nos matagais saxónicos o rouxinol cantou de novo e o poeta voltou com o seu códice, menos comprido do que o anterior.&lt;br /&gt;Não o repetiu de memória; leu-o com visível insegurança, omitindo certas passagens como se não entendesse nada delas, ou não quisesse profaná-las. A página era estranha. Não se tratava de uma descrição da batalha, era a batalha. Na sua desordem bélica agitava-se o Deus que é Três e Um, os numes pagãos da Irlanda e os que iriam guerrear, centenas de anos depois, no princípio da Edda maior. A forma não era menos curiosa. Um substantivo singular podia concordar com um verbo no plural. As preposições eram alheias às normas comuns. A aspereza alternava com a doçura. As metáforas eram arbitrárias, ou assim pareciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocando o Rei algumas palavras com os homens de letras que o rodeavam, falou desta forma:&lt;br /&gt;- Do teu primeiro louvor pude afirmar que era um feliz resumo de tudo o que a Irlanda já cantara. Este supera o que ficou para trás e também o aniquila. Suspende, maravilha e deslumbra. Não vão merecê-lo os ignaros mas sim os doutos, os raros. A custódia do exemplar único será um cofre de marfim. Da pena que produziu obra tão eminente podemos, todavia, esperar outra mais alta.Com um sorriso acrescentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Somos figuras de uma fábula e justo é recordar que nas fábulas domina o número três.&lt;br /&gt;O poeta atreveu-se a murmurar:&lt;br /&gt;- As três graças dos feiticeiros, as tríades e a indubitável Trindade.&lt;br /&gt;Prosseguiu o Rei:&lt;br /&gt;- Como prémio da nossa aprovação, toma lá esta máscara de ouro.&lt;br /&gt;- Dou graças e compreendo - disse o poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um aniversário passou e as sentinelas do palácio avisaram que o poeta aparecia sem nenhum manuscrito. Com algum espanto, o Rei olhou para ele; era quase outro.&lt;br /&gt;Qualquer coisa que não o tempo sulcara-lhe e transformara-lhe as feições. Os seus olhos pareciam ver muito longe, ou ter cegado. O poeta pediu para trocar com ele algumas palavras. Os escravos abandonaram a câmara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fizeste a ode? - perguntou o Rei.&lt;br /&gt;- Fiz - disse com tristeza o poeta.&lt;br /&gt; - Oxalá Cristo Nosso Senhor mo tivesse proibido.&lt;br /&gt;- Podes repeti-la?&lt;br /&gt;- Não me atrevo.&lt;br /&gt;- Dou-te a quantia que precisas - declarou o Rei.&lt;br /&gt;O poeta disse o poema. Era de uma só linha.&lt;br /&gt;Sem conseguir pronunciá-lo em voz alta, o poeta e o seu Rei saborearam-no como uma oração secreta, ou uma blasfémia. O Rei não estava menos maravilhado e atribulado do que o outro. Olharam-se, muito pálidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos anos da minha juventude - disse o Rei - pus-me a navegar rumo ao ocaso. Numa ilha vi lebréus de prata que matavam javalis de ouro. Noutra alimentámo-nos com o aroma de maçãs mágicas. Noutra vi muralhas de fogo. Na mais afastada de todas sulcava o céu um rio em abóbada e declive cujas águas abundavam de peixes e barcos. Isto são maravilhas mas não se comparam com o teu poema que as contém todas, pode dizer-se.&lt;br /&gt;Que feitiço to concedeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acordei de madrugada a proferir palavras que ao princípio não compreendi - disse o poeta. - Essas palavras eram um poema. Senti que tinha cometido um pecado, talvez aquele que o Espírito não perdoa.&lt;br /&gt;- Aquele que compartilhamos agora - murmurou o Rei.&lt;br /&gt;- O de termos conhecido a Beleza, que é um dom vedado aos homens. Cabe-nos expiá-lo.&lt;br /&gt; Dei-te um espelho e uma máscara de ouro; tenho aqui a terceira prenda, que é a última.&lt;br /&gt;Na mão direita pôs-lhe uma adaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do poeta sabemos que se matou, quando saiu do palácio; do Rei que é mendigo e corre os caminhos da Irlanda, seu reino de outrora, sem ter voltado a repetir o poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;”O Espelho e a Máscara, in O Livro de Areia, de Jorge Luís Borges.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-113202660961034082?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/113202660961034082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=113202660961034082&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113202660961034082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113202660961034082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/11/o-espelho-e-mscara.html' title='O Espelho e a Máscara'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-113003966179452537</id><published>2005-10-23T04:52:00.000+01:00</published><updated>2005-10-23T04:54:21.796+01:00</updated><title type='text'>Mandela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Às famosos leis de Murphy e ao velho axioma "errar é humano" pode acrescentar-se que para&lt;br /&gt;estragar mesmo as coisas é preciso um computador, pelo menos para gentinha como eu que não&lt;br /&gt;tenciona candidatar-se a nenhum Nobel da literatura. Isto a propósito das palavras lidas e&lt;br /&gt;escritas directamente no computador. E isto vem a propósito de quê?  Das palavras.  Dos livros que ando a ler, sem computador. Do prazer de sentir na mão o papel, cheirá-lo, apalpá-lo, afagá-lo num êxtase. Não é que não seja adepta destas tecnologias,  sou e muito.  A internet, que anda a ferro e fogo qual Julieta, com os Romeus perfilados pela sua posse, os EUA e a Europa, é um caso sério nas nossas preferências lúdicas e não só. Nossas, minhas, quero eu dizer. Quanto à tua, não sei. Mas este assunto há-de ficar tudo para outro dia e outro lugar. Pois é, não devia ter&lt;br /&gt;começado a falar nisto antes de me informar exaustivamente, mas uma vez não são vezes e&lt;br /&gt;errar é humano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje é Nelson Mandela, e o seu belissimo livro, "Longo Caminho para a Liberdade".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-113003966179452537?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/113003966179452537/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=113003966179452537&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113003966179452537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/113003966179452537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/10/mandela_113003966179452537.html' title='Mandela'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112968127028493520</id><published>2005-10-19T01:11:00.000+01:00</published><updated>2005-10-19T01:21:10.293+01:00</updated><title type='text'>Peter´s</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/DSCN20631.JPG"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/DSCN20631.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dia, no Faial. Domingo à tarde quando a cidade adormece. Ouvia-se o mar a jingar na areia e ao longe a neblina do canal entorpecia-nos de espanto. Não sei como é hoje a cidade mas suspeito que pouco mudou desde então. Vão para aí uns dez anos quando lá fui pela terceira vez. Estava beirando a marina, lendo as mensagens de desconhecidos marinheiros e bebendo o gin&lt;br /&gt;tónico do Peter. A cidade, essa, emigrava para os cantos verdejantes.  Ao meu lado, um homem e uma mulher. Fotografei-os numa máquina que me tinham emprestado e ainda estão aqui. Enviei a foto dois meses depois, e nunca obtive resposta. As vozes deles ainda me soam, às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como agora, em O Jardim do Eden, de Ernest Hemingway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em que estás a pensar?&lt;br /&gt;- Em nada.&lt;br /&gt;- Tens de estar a pensar em alguma coisa.&lt;br /&gt;- Estava só a sentir-me.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Feliz.&lt;br /&gt;- Mas eu fico tão esfomeada. Achas que é normal? Ficamos sempre tão esfomeados quando&lt;br /&gt;fazemos amor?&lt;br /&gt;- Quando amamos alguém.&lt;br /&gt;- Oh, percebes muito disso.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Não interessa. Adoro isto e não temos que nos preocupar com nada, pois não?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Que vamos fazer?&lt;br /&gt;- Não sei. E tu?&lt;br /&gt;- Tanto se me dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte dei a última sessão, sem powerpoint. Ainda decorriam as festas do Espírito&lt;br /&gt;Santo quando me vim embora com paragem na Terceira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112968127028493520?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112968127028493520/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112968127028493520&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112968127028493520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112968127028493520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/10/peters.html' title='Peter´s'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112951325250906780</id><published>2005-10-17T02:12:00.000+01:00</published><updated>2005-10-17T02:40:52.526+01:00</updated><title type='text'>Je t'aime... moi non plus...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/jane-birkin_01.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/jane-birkin_01.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo pronuncio tu nombre&lt;br /&gt;en las noches oscuras,&lt;br /&gt;cuando vienen los astros&lt;br /&gt;a beber en la luna&lt;br /&gt;y duermen los ramajes&lt;br /&gt;de las frondas ocultas.&lt;br /&gt;Y yo me siento hueco&lt;br /&gt;de pasión y de música.&lt;br /&gt;Loco reloj que canta&lt;br /&gt;muertas horas antiguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo pronuncio tu nombre,&lt;br /&gt;en esta noche oscura,&lt;br /&gt;y tu nombre me suena&lt;br /&gt;más lejano que nunca.&lt;br /&gt;Más lejano que todas las estrellas&lt;br /&gt;y más doliente que la mansa lluvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te querré como entonces&lt;br /&gt;alguna vez? Que culpa&lt;br /&gt;tiene mí corazón?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si la niebla se esfuma,&lt;br /&gt;qué otra pasión me espera?&lt;br /&gt;Será tranquila y pura?&lt;br /&gt;Si mis dedos pudieron&lt;br /&gt;deshojar a la luna!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Federico García Lorca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112951325250906780?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112951325250906780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112951325250906780&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112951325250906780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112951325250906780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/10/je-taime-moi-non-plus.html' title='Je t&apos;aime... moi non plus...'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112915302321182590</id><published>2005-10-12T22:35:00.000+01:00</published><updated>2005-10-12T22:37:03.216+01:00</updated><title type='text'>Juristas</title><content type='html'>Perdoem-me a ignorância. Oiço muito falar em juristas, alguém me sabe confirmar ou desmentir se é como eu penso: um jurista é uma pessoa que vive dos juros?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112915302321182590?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112915302321182590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112915302321182590&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112915302321182590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112915302321182590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/10/juristas.html' title='Juristas'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112889978262085975</id><published>2005-10-09T23:44:00.000+01:00</published><updated>2005-10-10T00:16:22.626+01:00</updated><title type='text'>Só sei que nada sei</title><content type='html'>Dizem que a só a idade traz sabedoria, experiência, bom senso. Nunca acreditei nisso. Antes pelo contrário. Na ânsia de aproveitar bem o dia a dia, a idade adulta e seus afluentes retornam aos primórdios da sua adolescência: são o que dantes abominavam e adoptam os bons princípios duma insane (aos seus olhos) geração.&lt;br /&gt;Creio na juventude obsolutamente sã, e numa idade adulta absolutamente sã...&lt;br /&gt;Creio no poder da transversalidade. Numa inteligência universal. Todos ao molho e fé em Deus. Um deus que desconheço, porque fique claro que a igreja católica, apostolóca e romana é mais um reforço para a nossa imaginação. A meu ver.&lt;br /&gt;Mas não vim aqui falar de religião. Isso é com cada um e cada um que se amanhe no reino dos deuses que melhor lhes convier.&lt;br /&gt;Nem sei do que vim falar. Do nada ou do tudo. Fica ao vosso critério.&lt;br /&gt;Perguntam-me... porque que vim aqui?&lt;br /&gt;Há alguma razão específica para não vir?&lt;br /&gt;Talvez uma estranha sensação de não saber, e simplesmente por isso querer estar com vocês...&lt;br /&gt;Assim, simplesmente..sem nada de especial para contar. Contas-me, tu?&lt;br /&gt;Não, não me contarás (penso que não).&lt;br /&gt;Não me contarás de que são feitos os teus silêncios. Não me conheces de sitio nenhum, sou apenas um conjunto de frases virtuais.&lt;br /&gt;Não me contarás porque sorris neste momento ..ou porque não te apetece sorrir...de todo!&lt;br /&gt;Se por acaso sorrires, diz-me!&lt;br /&gt;Conta-me!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112889978262085975?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112889978262085975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112889978262085975&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112889978262085975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112889978262085975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/10/s-sei-que-nada-sei.html' title='Só sei que nada sei'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112855112915514267</id><published>2005-10-05T23:18:00.000+01:00</published><updated>2005-10-05T23:25:29.166+01:00</updated><title type='text'>Carta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer. Muitas vezes me lembrei de que este sítio podia ser, até, um lugar sem nada de especial, como um canto de café, em frente de um espelho que poderia servir de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde, o último estertor do dia antes de nos despedirmos, quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É que o amor nem sempre é uma palavra de uso,aquela que permite a passagem da comunicação mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale, de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio ser, como se uma troca de almas fosse possível neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas esta tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento, e, por trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia azul, de verão, em que o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas, que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nuno Júdice&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(do paopbocca)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112855112915514267?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112855112915514267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112855112915514267&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112855112915514267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112855112915514267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/10/carta.html' title='Carta'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112828863402567745</id><published>2005-10-02T22:28:00.000+01:00</published><updated>2005-10-02T22:30:34.036+01:00</updated><title type='text'>Gracias a la vida</title><content type='html'>Gracias a la vida, que me ha dado tanto.&lt;br /&gt; Me dio dos luceros, que cuando los abro,&lt;br /&gt; Perfecto distingo lo negro del blanco,&lt;br /&gt; Y en el alto cielo su fondo estrellado,&lt;br /&gt; Y en las multitudes el hombre que yo amo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Gracias a la vida, que me ha dado tanto.&lt;br /&gt; Me ha dado el oído que, en todo su ancho,&lt;br /&gt; Graba noche y día grillos y canarios&lt;br /&gt; Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,&lt;br /&gt; Y la voz tan tierna de mi bien amado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Gracias a la vida, que me ha dado tanto,&lt;br /&gt; Me ha dado el sonido y el abecedario.&lt;br /&gt; Con él las palabras que pienso y declaro,&lt;br /&gt; "Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando&lt;br /&gt; La ruta del alma del que estoy amando.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Gracias a la vida, que me ha dado tanto.&lt;br /&gt; Me ha dado la marcha de mis pies cansados.&lt;br /&gt; Con ellos anduve ciudades y charcos,&lt;br /&gt; Playas y desiertos, montañas y llanos,&lt;br /&gt; Y la casa tuya, tu calle y tu patio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Gracias a la vida que me ha dado tanto&lt;br /&gt; Me dio el corazón, que agita su marco.&lt;br /&gt; Cuando miro el fruto del cerebro humano,&lt;br /&gt; Cuando miro al bueno tan lejos del malo.&lt;br /&gt; Cuando miro el fondo de tus ojos claros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Gracias a la vida que me ha dado tanto.&lt;br /&gt; Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto.&lt;br /&gt; Así yo distingo dicha de quebranto,&lt;br /&gt; Los dos materiales que forman mi canto,&lt;br /&gt; Y el canto de ustedes que es el mismo canto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Y el canto de todos que es mi propio canto.&lt;br /&gt; Gracias a la vida que me ha dado tanto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Violeta Parra&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112828863402567745?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112828863402567745/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112828863402567745&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112828863402567745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112828863402567745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/10/gracias-la-vida.html' title='Gracias a la vida'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112672116537742036</id><published>2005-09-14T18:50:00.000+01:00</published><updated>2005-09-14T19:08:35.096+01:00</updated><title type='text'>O cigano e o cigarro</title><content type='html'>Não se trata de um artigo sobre os hábitos tabagistas dos ciganos que creio não serem diferentes dos das outras pessoas. &lt;br /&gt;Também não se trata de uma análise sobre semelhança formal de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! O assunto é sério e profundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dada a necessidade de encontrar referências numa nação à deriva, quero homenagear estas duas entidades, o cigano e o cigarro, pelo alto contributo que ambos têm dado ao longo dos tempos na gestão dos fundos públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que não estarão a entender... ainda.&lt;br /&gt;O que há de comum entre estas duas entidades?&lt;br /&gt;Afinal que contributos são esses tão importantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, não direi que não há outros ramos igualmente importantes, mas não me ocorreram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos então ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio ser pacífico que a justiça e a saúde são dos sectores decisivos na gestão dos nossos fundos públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bem, quando, por exemplo, a um lavrador roubam um arado qual é a primeira interrogação que todos se fazem? &lt;br /&gt;Evidentemente é: há algum cigano nas redondezas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se a resposta é negativa lá vem uma longa e morosa investigação, cheia de escolhos e pruridos para que ninguém saia ofendido, com tudo o que isso custa em fundos públicos.&lt;br /&gt;Se a resposta é positiva, tudo isso é poupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do tabaco, imaginemos que o mesmo lavrador tem um cancro de pulmão, uma pleurisia, um aneurisma, até mesmo uma unha encravada.&lt;br /&gt;Qual é a primeira interrogação? Evidentemente: fuma?&lt;br /&gt;Se a resposta é negativa lá vem um ror de exames com as custas que isso acarreta para o erário público.&lt;br /&gt;Se é positiva a culpa é do tabaco, assunto resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendem agora o alcance da coisa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112672116537742036?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112672116537742036/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112672116537742036&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112672116537742036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112672116537742036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/09/o-cigano-e-o-cigarro.html' title='O cigano e o cigarro'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112663349742665928</id><published>2005-09-13T18:41:00.000+01:00</published><updated>2005-09-14T07:52:27.646+01:00</updated><title type='text'>Cadeia de produção</title><content type='html'>Andavam dois trabalhadores a cavar num jardim: um abria covas, vinha o outro aí umas 5 ou 6 covas atrás e tapava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um velhote, daqueles antiquados, meteu-lhe aquilo confusão e perguntou que serviço era aquele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responde aquele trabalhador com ar mais desenvolto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que o nosso colega que planta as árvores está de férias. O nosso chefe não ia deixar atrasar o serviço por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Parece anedota, não é? Olhem que que este tipo de cadeias de produção são mais correntes do que se pode admitir, embora quase sempre o processo não seja assim tão evidente:)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112663349742665928?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112663349742665928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112663349742665928&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112663349742665928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112663349742665928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/09/cadeia-de-produo.html' title='Cadeia de produção'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112655810196848911</id><published>2005-09-12T21:46:00.000+01:00</published><updated>2005-09-13T00:23:45.943+01:00</updated><title type='text'>A guerra preventiva</title><content type='html'>Tenho tido sempre alguma dificuldade para explicar a certas pessoas mais relutantes o conceito da guerra preventiva tão em voga nos tempos actuais.&lt;br /&gt;As mentes menos brilhantes normalmente têm certa dificuldade em lidar com abstracções, por isso me lembrei dum episódio que presenciei há uns anos e que ilustra de forma bem concreta o conceito de guerra preventiva.&lt;br /&gt;Estavam construindo um daqueles prédios de muitos andares da Praia da Rocha, eu ia pela rua e à minha frente ia uma senhora passeando uma cadelinha, pouco percebo de raças de cães mas acho que era uma caniche.&lt;br /&gt;De repente ouve-se: "Páaaaaasss", a cadelinha nem ganiu, ficou esmagada debaixo do tijolo.&lt;br /&gt;Olhei para cima e lá estava um fulano no oitavo andar com ar de alívio.&lt;br /&gt;A senhora ficou em estado de choque, mas antes de me dirigir a ela não resisti a perguntar lá para cima:&lt;br /&gt;- Oh homem do diabo, que mal é que a canita lhe estava fazendo?&lt;br /&gt;E ele:&lt;br /&gt;- Se calhar queria que eu ficasse à espera que ela me mordesse?? Há cada um!! - e desapareceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112655810196848911?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112655810196848911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112655810196848911&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112655810196848911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112655810196848911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/09/guerra-preventiva.html' title='A guerra preventiva'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112646448796454400</id><published>2005-09-11T19:43:00.000+01:00</published><updated>2005-09-11T19:48:07.970+01:00</updated><title type='text'>Paradoxo aparente com consequências à vista :)</title><content type='html'>Na minha vida profissional, sou topógrafo, acontece-me muitas vezes perguntarem-me:&lt;br /&gt;- Senhor engenheiro, você acredita que esta courela alguma vez vai render alguma coisa?&lt;br /&gt;Não sou engenheiro, mas os camponeses não desarmam, é como os miúdos com os professores, não adianta dizer: - Não sou doutor!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao valor da courela, respondo sempre que não sei, mesmo que a courela seja um monte de pedras numa encosta virada a norte. E porque é que respondo que não sei? Porque não sei mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos exemplos: há muito poucos anos uma courela situada num alto dum monte não valia nada, com o advento dos telemóveis pode servir para antenas. Se for ventoso, actualmente pode ser um forte candidato a um gerador de electricidade limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o exemplo que mais me marcou é o do litoral algarvio. Há 40 anos as partilhas eram feitas de maneira que os herdeiros espertos ficavam com as terras do interior férteis para a agricultura. As da beira-mar eram normalmente empurradas para aquele herdeiro mais incapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, o resultado está à vista...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112646448796454400?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112646448796454400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112646448796454400&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112646448796454400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112646448796454400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/09/paradoxo-aparente-com-consequncias.html' title='Paradoxo aparente com consequências à vista :)'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112631932919297490</id><published>2005-09-10T03:25:00.000+01:00</published><updated>2005-09-10T03:28:49.196+01:00</updated><title type='text'>Algures no universo</title><content type='html'>Com tanta politiquice e tantas coqueluches por aí, só me apetece ser deportada para uma ilha deserta do planeta Maruk, que como sabem fica à esquerda de quem sai da Via Láctea. Cortando pela marginal de Andrómeda, vai-se straight on (é assim?) que tem menos meteoritos, e quando aparecer Sírius segue-se em frente, ou seja, straigh on, passa-se pelo planeta do Principezinho mas com cuidado para não acordar o miudo. Mais á frente há uma bomba de gasolina, perdão, de pó cósmico, que dá sempre jeito pelo sim pelo não, não vá haver falta. Continua-se em frente pela A888888888889999990 e aí cuidado com o piso, pois passou ali uma estrela cadente cheia de sóis em expansão, a caminho dum universo paralelo. É capaz de haver uns sóis caídos por ali, portanto vai-se com calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando a Maruk, é fácil. Seguem o trilho do Pablo Neruda e chegam aos Cem poemas de amor. Vê-se logo. Mas aqui deixo um mapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te quero senão porque te quero&lt;br /&gt;e de querer-te a não querer-te chego&lt;br /&gt;e de esperar-te quando não te espero&lt;br /&gt;passa meu coração do frio ao fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te quero só porque a ti te quero,&lt;br /&gt;te odeio sem fim, e odiando-te te rogo&lt;br /&gt;e a medida do meu amor viajeiro&lt;br /&gt;é não ver-te e amar-te como um cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez consumirá a luz de Janeiro,&lt;br /&gt;seu raio cruel, meu coração inteiro,&lt;br /&gt;roubando-me a chave do sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta história só eu morro&lt;br /&gt;e morrerei de amor porque te quero,&lt;br /&gt;porque te quero, amor, a sangue e fogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112631932919297490?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112631932919297490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112631932919297490&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112631932919297490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112631932919297490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/09/algures-no-universo.html' title='Algures no universo'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112574627459050425</id><published>2005-09-03T12:16:00.000+01:00</published><updated>2005-09-03T12:24:51.526+01:00</updated><title type='text'>Mail ao chefe</title><content type='html'>Caro Chefe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu assistente, Sr. Marco  Dias, está sempre&lt;br /&gt;concentrado no trabalho, nunca  fica&lt;br /&gt;na conversa. É uma pessoa incapaz de&lt;br /&gt;recusar  ajuda aos outros, mesmo assim consegue&lt;br /&gt;fazer o trabalho -  muitas vezes fica mais tempo na&lt;br /&gt;empresa. Por  vezes até trabalha na&lt;br /&gt;hora do almoço. É uma pessoa que  não tem&lt;br /&gt;arrogância em relação aos seus&lt;br /&gt;conhecimentos informáticos. É um colaborador que&lt;br /&gt;é motivo de  orgulho para a empresa e cujos serviços não&lt;br /&gt;se pode dispensar. Penso que  já é tempo de ele&lt;br /&gt;finalmente ser promovido, para que não pense  em&lt;br /&gt;deixar-nos. A empresa só iria ganhar com  isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGUNDO MAIL AO CHEFE&lt;br /&gt;Quando  lhe enviei o primeiro mail a besta do meu assistente, aquele&lt;br /&gt;estúpido,  por acaso entrou e estava ao meu lado.&lt;br /&gt;Por favor leia o meu mail  novamente, desta vez só as linhas ímpares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112574627459050425?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112574627459050425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112574627459050425&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112574627459050425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112574627459050425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/09/mail-ao-chefe.html' title='Mail ao chefe'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112511511687440991</id><published>2005-08-27T04:45:00.000+01:00</published><updated>2005-08-27T04:58:36.883+01:00</updated><title type='text'>Em busca do Tempo Perdido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/rabelo-foto-JA-cotta-26-08-05.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/rabelo-foto-JA-cotta-26-08-05.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Encontrei o meu antigo chefe junto ao Galeto. Está agora num escritório de advogados, e nas horas vagas "faz" as ilhas gregas, faz a América do Sul, faz a Escócia. E disse-me: você está com bom aspecto. Está um calor, não acha?  perguntei desconfiada mas ele insistiu sádicamente, você está com bom aspecto, como se o facto de me ter estendido a mão fosse tão considerável como o de me armar cavaleiro, e apeteceu-me dar-lhe com O lado de Guermantes do Marcel Proust, da série de romances de Em busca do Tempo Perdido, que levava debaixo do braço, e desfazer assim o automatismo daquele olhar perfurador que precedia o aperto de mão e o dom de fascinação que tão naturalmente pensava possuir. E a este respeito, diga-se de passagem, a primeira idade é a infância, a segunda é a adolescência, a terceira é a juventude e a quarta, é a do você está com bom aspecto, coisa que irrita mais do que aquela invenção do cartão do idoso que é uma espécie de passe para ingressar nos cuidados continuados duma instituição privada de solidariedade social. Nos meus tempos de estudante, tinha uma colega negra natural de Moçambique, que usava uma cabeleira afro enorme, tinha olhos como faróis de cortar nevoeiro e fumava. Foi ela quem me deu o primeiro cigarro, dizendo que fumar dava bom aspecto e tempos depois vim a saber que tinha regressado a Moçambique, e era uma anti tabagista ferrenha, mas adiante. Um dia confessou-me que andava a ver se arranjava uma engenhoca qualquer, uma espécie de guarda chuve pequenino, que abrigasse o cigarro enquanto tomava duche. Imaginar essa terrível engenhoca é a melhor terapia para deixar de fumar. Chamava-se Elisée. Tudo isto é pré-histórico da minha actual idade do bom aspecto, só me lembrei deste episódio porque encontrei o meu antigo chefe vindo do Porto de onde é natural e prestes a fazer as suas ilhas gregas, e como nada acontece por acaso, tirando a questão do bom aspecto até gostei de o ver. Por acaso, estava com muito bom aspecto, e dei por mim a apreciar a sua capacidade de manter uma certa grandeza temperada com uma bonomia sorridente, num misto de sincera benevolência e intencional altivez. Foi um encontro breve, e fixei-o na película fotográfica das minhas recordações na secção que tem o título a vida é bela, com um autocolante da Mafalda a dizer "Se viver é só durar, prefiro um single dos beatles a um long play da Sarita Montiel".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112511511687440991?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112511511687440991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112511511687440991&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112511511687440991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112511511687440991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/em-busca-do-tempo-perdido.html' title='Em busca do Tempo Perdido'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112484071758185609</id><published>2005-08-24T00:36:00.000+01:00</published><updated>2005-08-24T00:45:17.586+01:00</updated><title type='text'>Pássaros de seda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/Caminho2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/Caminho2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"...Ele tirou a roupa com elegância e o seu corpo nu era bem a prova da existência do deus que criou o homem ao sétimo dia e descansou. Olhou-a sem a tocar e disse, tira a pulseira, os brincos, esse fio de ouro, quero-te nua, estás cheia de símbolos de classe social e agora não és nada disso, és um bicho soberbo, felino, em pleno cio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela obedeceu, sem tirar os olhos dos seus olhos daquele dia, e ele procurou a boca dela pelo caminho das coxas, do ventre, dos seios, dos olhos, das orelhas, purificou-se na humidade dos lábios, disse palavras tontas, cântaro, barco à vela, fada, gueisha, camélia, tangerina, iniciou o caminho de volta enquanto as mãos ensaiavam voos de gaivota pela praia, pelos ombros, as costas, as nádegas, e os dedos festejavam e dizia palavras.&lt;br /&gt;E o corpo dela de tocaia suspenso entre o céu e a terra, oferecendo-se àquela lingua sábia, enquanto o coração, ai dele, se afogava em marés ilimitadas. A sua branca, feminina garganta navegou em todos os cambiantes do murmúrio e do grito, e na hora vermelha, solta de todas as amarras, ouviu-se dizer palavras espantosas, morde-me, inunda-me, mata-me, quero que todos saibam que sou a tua coisa, a tua fêmea, ai"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In "Os pássaros de seda", de Rosa Lobato Faria &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112484071758185609?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112484071758185609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112484071758185609&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112484071758185609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112484071758185609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/pssaros-de-seda.html' title='Pássaros de seda'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112465287137278929</id><published>2005-08-21T20:31:00.000+01:00</published><updated>2005-08-21T20:38:59.383+01:00</updated><title type='text'>Despertar - 4 (fim) - Carta do primo Artur</title><content type='html'>Em Janeiro o tempo melhorou. Os agricultores andavam contentes. Jaime vem da escola, para o almoço. O dia está lindo. Frio, mas o sol brilhante. Apetece pedalar com aquele ar puro.&lt;br /&gt;Em casa havia uma carta do primo Artur:&lt;br /&gt;"Paris, 6/7/71&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queridos tios e primos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sei que vos vai admirar estar a escrever de França. Estou cá há uns dias. Não sei se já sabiam que tinha vindo. Pois é, cá estou e de boa saúde. E vocês por aí como é que vão?&lt;br /&gt;Sei que para vocês é difícil de compreender, mas tinha que ser. Eu não estava disposto a ir participar numa guerra para interesses de meia dúzia. Sei que a vida que me espera aqui não é nada fácil, até já comecei a senti-la, mas eu não podia ir matar pessoas inocentes que estão na sua terra a governar a sua vida.&lt;br /&gt;Vocês talvez não saibam, mas aquilo a que eles chamam terroristas são pessoas como nós que pensaram em dizer: Basta! e em não deixarem que os roubem e explorem na sua própria terra. Vendo bem as coisas têm os mesmos interesses que nós, os que os vão lá roubar são os mesmos que nos roubam cá e ainda nos põem a matarmo-nos uns aos outros. Se todos lhes fizessem um manguito e se recusassem a ir para lá é que se resolvia aquilo depressa.&lt;br /&gt;Queridos tios e primos, podem pensar que sou um cobarde por me recusar a ir a essa guerra, queria-vos só dizer que cobarde seria se fosse matar pessoas que eu sei que têm razão só para evitar problemas a mim próprio. Dizem que não somos patriotas, mas eles é que não são porque estão a dar cabo do país e estão a dar cabo da juventude. Vejam só o belo país que eles estão a criar que mais de dois milhões de portugueses têm que vir à procura de sustento no estrangeiro. Afinal quem é que não é patriota?&lt;br /&gt;Estou convencido que vocês me saberão compreender, não demorará muito tempo que tudo isto ficará claro para todos.&lt;br /&gt;Cumprimentos a todos. Beijos e abraços deste primo e sobrinho que não vos esquece nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Artur Vieira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Quando me escreverem, escrevam para o endereço que vai no envelope. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sobrescrito, no remetente, vinha um nome desconhecido, mas em letras bem legíveis.&lt;br /&gt;À tarde, na escola, Jaime andava diferente. No exercício de matemática, o seu forte, espalhou-se ao comprido. Os colegas comentavam em voz alta:&lt;br /&gt;- O que seria que a Natália te fez?&lt;br /&gt;À noite, ao jantar, parecia que todos estavam mudos. Até evitavam olhar uns para os outros. Jaime espiava-os pelo canto do olho, desejava que houvesse conversa mas não sabia como começar. O pai ainda estava mais impenetrável que de costume. A mãe parecia mais atarefada que nunca. &lt;br /&gt;- Esta malta nova na pensam na vida. - Joaquim Martins interrompe finalmente o silêncio sem levantar os olhos do prato - Lá qu'iste 'tá mal lá isse tá, má o qué que se ganha com revoltas? Fica-se sempe na mêma ó 'inda pior. Na se vi quande foi do Humberte Delgade? Iste sempe assim foi e sempe assim há-de ser.&lt;br /&gt;Perante tão eloquente discurso todos baixaram os olhos e ficaram calados menos Jaime que se atreveu a perguntar:&lt;br /&gt;- O qu'é que o pai qué dezé com isse?&lt;br /&gt;Joaquim Martins encarou o filho como se pela primeira vez. Ficou um instante mudo a olhar para ele. Depois respondeu baixando o olhar:&lt;br /&gt;- Nada... e d'hoje pr'ó fetur na se fala má niste!&lt;br /&gt;A Cristina levantou-se e foi-se meter no quarto como de costume. A Lídia, que tinha o namorado na Guiné, ficou sentada à mesa mas mais parecia não estar ali. O pai continuou a refeição dando uma atenção excessiva à comida. A mãe levantou-se atarefada como sempre, mas com uma lágrima no canto do olho. Pelo menos foi o que pareceu a Jaime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;al-Farrob&lt;br /&gt;(Este texto, este e mais os 3 que o precederam, agrupados sob o título "Despertar", foram escritos em 1973 na sua ideia fundamental, depois foram sofrendo ajustes principalmente de forma e estilo e abandonados na gaveta por volta de 82.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112465287137278929?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112465287137278929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112465287137278929&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112465287137278929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112465287137278929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/despertar-4-fim-carta-do-primo-artur.html' title='Despertar - 4 (fim) - Carta do primo Artur'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112457300151065972</id><published>2005-08-20T22:22:00.000+01:00</published><updated>2005-08-20T22:24:29.043+01:00</updated><title type='text'>Despertar - 3 - Redacção</title><content type='html'>- Vá, fá-me lá a redacção, fazes? - arqueia as sobrancelhas, adoça a voz, convence Jaime, Natália.&lt;br /&gt;- 'Tá bem, face sim! Maz ache qu'isse na adianta nada. Só face pr'a te fazer o gôste.&lt;br /&gt;- Já ouvi esse descurse. Vé lá se ma entregas amanhã de manhã, qu'amanhã é o últime dia.  &lt;br /&gt;Jaime fica sério. Natália gosta de contemplar o rosto do namorado quando fica assim sério. Não se sabe o que está a pensar, Natália sente por vezes quase medo dessa expressão, demasiado séria para a sua idade. Mas, paradoxalmente, é um dos atributos que mais a atraem nele. Jaime é um dos poucos rapazes com quem gosta de conversar, talvez porque é capaz de a escutar com interesse e atenção, sem se rir mesmo das suas pieguices mais absurdas.&lt;br /&gt;Jaime fez a redacção. No dia seguinte entregou-lha num dos intervalos das aulas. Dizia assim:&lt;br /&gt;"O Natal, Dia da Família&lt;br /&gt;O Natal é muito mais do que uma simples festa religiosa, é o dia da família. Neste dia as famílias costumam se reunir. Muitas vezes resolvem-se problemas familiares neste dia que se não conseguem resolver noutras ocasiões.&lt;br /&gt;É pena que em Portugal muitas famílias não se possam reunir, nem sequer nesta altura. A guerra e a emigração não o permitem. Muitos portugueses têm que ir para a guerra ou têm que ir procurar sustento noutros países porque não o encontram cá. E isto faz com que muitas famílias passem o Natal separadas. Pais separados dos filhos, filhos separados dos pais; maridos separados das mulheres, noivas separadas dos noivos. Esta é a parte triste desta quadra festiva que não podemos esquecer."&lt;br /&gt;- Foste tu que escreveste isto? - folheia papeis, olha por cima dos óculos, interroga Natália, a professora de português.&lt;br /&gt;- Fui sim, s'tôra. - Natália cora.&lt;br /&gt;A professora fita-a ainda por um momento. Depois pega noutra redacção.&lt;br /&gt;A turma do curso de formação feminina andava atarefada na preparação dum jornal de parede sobre o Natal. As alunas que tinham mais jeito para o desenho estavam a preparar um grande quadro em papel de cenário, dividido em duas partes: uma pintada a guache, a outra com papel recortado, às cores. Os temas eram o menino Jesus nas palhinhas e os Três Reis Magos.&lt;br /&gt;Algumas foram encarregadas de compor textos e poemas, relacionados com o Natal, para o quadro, chamado "Jornal de Turma".  A Natália coube elaborar um texto sobre o tema "O Natal e a Família".&lt;br /&gt;No dia em que Jaime foi ver as notas, procurou entre os vários quadros expostos na sala de entrada da escola, aquele da turma de Natália. Lá estava. Lindo: os textos manuscritos em caligrafia impecável e em diferentes cores a harmonizarem perfeitamente. Foi, porém, em vão que procurou o texto que escrevera com tanto amor e dedicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;al-Farrob&lt;br /&gt;(Estes textos, este e mais uns quantos que se seguirão, agrupados sob o título "Despertar", foram escritos em 1973 na sua ideia fundamental, depois foram sofrendo ajustes principalmente de forma e estilo e abandonados na gaveta por volta de 82.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112457300151065972?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112457300151065972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112457300151065972&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112457300151065972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112457300151065972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/despertar-3-redaco.html' title='Despertar - 3 - Redacção'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112448678177222505</id><published>2005-08-19T22:25:00.000+01:00</published><updated>2005-08-20T22:25:03.626+01:00</updated><title type='text'>Despertar - 2 - Visita do Carlos</title><content type='html'>Quando Jaime chega a casa é já noite cerrada. Apesar de abrigado com o guarda-chuva, traz as calças molhadas até aos joelhos e os pés encharcados até aos ossos.&lt;br /&gt;Tinha uma surpresa; o primo Carlos viera passar uns dias,  até ao Natal, com os tios e primos. O primo Carlos era o primogénito da tia Ernestina, tia materna do Jaime. Morava com os pais e mais cinco irmãos e irmãs no Barreiro, onde trabalhava numa fábrica.&lt;br /&gt;- Então como vai essa vida, rapaz? - Carlos levantou-se. Apertaram-se as mãos e apertaram-se num abraço. Havia mais de dois anos que não se viam.&lt;br /&gt;- Que boa surpresa! Vieste esta tarde?&lt;br /&gt;- Cheguei há bocado. Vim de boleia com um amigo meu que vinha para Portimão. Ele veio-me pôr aqui há menos de meia hora... 'Tá um tempo dos diabos!&lt;br /&gt;- Vai mas é mudar essas calças e esses sapatos, senão ainda te  constipas. Vá que é pr'a irmos comer. Vá, Fernanda, vai ponde aí a mesa, filha! Vá, Lídia, vame lá pr'á mesa que'isto na sõ horas pr'a estudar. A ceia na éi lá grande coisa, má tu tamém vieste sem avisar, má vame lá ver, sempe há de dá pr'a todes! Vá vame lá pr'á mesa. Jaime, vé lá se te d'spachas. Lídia, vame lá! É pena é a gente na sabermes que tu vinhas. Sempe s'arranjava ôt'a coisa. - frita batatas, descasca batatas, espalha toalhas, limpa talheres, esfrega panelas, cuida filhos, recebe sobrinhos, Idalina Martins.&lt;br /&gt;- Oh, tia! 'Tá bem assim. Se se comesse sempre assim, ainda a coisa ia.&lt;br /&gt;- Serve-te, Carlos, na tenhas vergonha!&lt;br /&gt;- Sirva-se o tio, ora essa!&lt;br /&gt;- Vame lá ver o qué que dizes a este vinhe. Ist'é pr'dute cá da casa. Aparelha aí o cope. Quande ter avonde diz.&lt;br /&gt;- O tio tem dedo pr'a isto! - Carlos, quase meio copo depois, de um só fôlego.&lt;br /&gt;- Atã, trazes alg'mas n'tíeças lá do p'ssoal d'Alhandra? - interrompe o silêncio, Idalina - A m'nhe irmã já na me escreve há má de tré meses.&lt;br /&gt;- 'Tive lá a semana passada. Os tios e a Lena estão bons. Não vi foi o João, que estava a trabalhar, e o Artur desapareceu de casa há mais de quinze dias e não sabem dele.&lt;br /&gt;- Má di lá isse ôtra vez! - Joaquim Martins, muito direito na cadeira.&lt;br /&gt;- Desaparecé de casa há quinze dias...? E na me mandaram dizé nada? - Idalina, de olhos muito abertos.&lt;br /&gt;- É como lhe digo, tia... Estive lá a semana passada. Até fui com a Tina. Parece que não se preocupavam muito, até desviavam a conversa. Não ficámos a perceber nada.&lt;br /&gt;- A m'nh irmã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;al-Farrob&lt;br /&gt;(Estes textos, este e mais uns quantos que se seguirão, agrupados sob o título "Despertar", foram escritos em 1973 na sua ideia fundamental, depois foram sofrendo ajustes principalmente de forma e estilo e abandonados na gaveta por volta de 82.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112448678177222505?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112448678177222505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112448678177222505&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112448678177222505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112448678177222505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/despertar-2-visita-do-carlos.html' title='Despertar - 2 - Visita do Carlos'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112440623507912526</id><published>2005-08-18T23:54:00.000+01:00</published><updated>2005-08-19T00:03:55.086+01:00</updated><title type='text'>Despertar - 1 - Briga na taberna</title><content type='html'>Domingo. Um cinzento e chuvoso domingo de Dezembro. À tarde os homens reúnem-se na taberna do Chico Lázaro. Bebem aguardente de medronho e conversam. Alguns jogam às cartas, à sueca. &lt;br /&gt;- Se continua assim a chové má quatre ó cinque dias, est'ane na há favas nem gresés. - olha pela porta, baixa a voz, emborca o copo, um dos agricultores, perante o acordo da sua roda.&lt;br /&gt;- Este munde tá predide - lamenta-se, cospe no chão, embrulha o cigarro, o tio Ezequiel na sua roda de velhos - Na se sabe onde é que iste vai parar. Adés ó munde!&lt;br /&gt;- Já deziem as prefecias de Bandarra - acrescenta o tio António Gomes - que iste quande ir pr'ó fim do munde há-de parecé de tude. Quasqué dia comem-se uns ós ôtres. Quande morrerem os má velhes, sempe qué ver o qué qu'eles comem.&lt;br /&gt;À parte junta-se a malta nova desdenhando da conversa dos mais velhos:&lt;br /&gt;- Eh pá, ma vez encontrámes um acampamente dos gajes. Só qu'ria que vocês visse os gajes tude a fugir com cagufe. Até batiem com os calcanhares do cu. - ri-se, fala pelos cotovelos, fica sério, o Zé Moirinho que esteve em Angola e é de poucas falas quando não está com um copinho a mais.&lt;br /&gt;À sua volta aperta-se um grupo de malta mais nova, que escuta com atenção bebendo cada palavra. Olham-no com olhos esgazeados, riem quando ele ri, param de rir quando ele para.&lt;br /&gt;O Aldemiro, que fez a tropa em Elvas vai-se embora de cabeça baixa.&lt;br /&gt;Sentado a jogar à sueca, o Zé da Burra está rebentando que não interrompe para contar das dele. Também ele esteve em Angola e não perde palavra do que o outro diz. Mas não se atreve a interromper o jogo, principalmente por respeito ao senhor Manuel Gonçalves.&lt;br /&gt;- Tanta merda! Tanta merda! - fecha o guarda-chuva, sacode o casaco, chega-se ao balcão, o Alberto Mata-Gatos, que já vem bem bebido. - Se tu te visses lá qu'mé me vi alg'mas vezes até te mejavas tôde!&lt;br /&gt;- Na me digas! - uma sombra de ódio mal contido no rosto do Zé Moirinho - Se calhar és melhó qu'óz ôtres. Bem se via lá, a gente é qu'andávames lá a esfelar o coire e vocês é que ficavem com o nome.&lt;br /&gt;O Alberto esteve nos comandos. O Zé Moirinho foi encontrá-lo em Luanda quando lá chegou. Claro que se dirigiu a ele, mas foi encontrar um Alberto Mata-Gatos muito diferente do antigo companheiro de brincadeiras, de escola e mesmo de farras, mais tarde. Não perdia oportunidade de o fazer cair no ridículo. Chamava-lhe maçarico e pregava-lhe partidas para ele e os outros se rirem à sua custa. Nunca mais se deram. Bom dia, boa tarde e vai-te andando.&lt;br /&gt;Agora ali estão, frente a frente, ambos já com alguns copos a mais, desafiando-se como galos. E um ódio surdo, recalcado durante anos a crescer dentro do Zé.&lt;br /&gt;- Tens a mania qu'és bom! - treme-lhe a voz - Vé lá s'te cag'ó cã no caminhe!&lt;br /&gt;- Vé lá s'tens máz é tente na língua! Se nã 'inda t'ensine máz é a pô na ordem! - o tom arrogante do Alberto ainda contribuiu mais para afinar o outro do que as suas palavras.&lt;br /&gt;- Vai máz é ensinar à tua avó! Pensas que tá pr'aí tude cagade com mede de ti? - e atira-se a ele.&lt;br /&gt;Agarrou-o pelo casaco para o fazer cair.  O Alberto, tentou agarrar numa garrafa, mas alguém lha tirou do alcance. &lt;br /&gt;Separam-nos à força. Já havia cadeiras derrubadas pelo chão e copos derramados que o Chico Lázaro corre a recolher. Não se partiu nenhum.&lt;br /&gt;Já anda quase toda a gente envolvida naquilo, só a roda dos velhos, os jogadores de sueca e o próprio taberneiro se mantêm de fora. O Zé da Burra está rebentando que não se mete, mas por respeito ao senhor Manuel Gonçalves deixa-se ficar.&lt;br /&gt;O Chico Lázaro, esse, depois de recolher os copos e garrafas para não se partirem, mandou os filhos para a cozinha (que não foram) e deixou-se ficar tranquilo por detrás do balcão. Que lhe importava? Desde que não partissem nada... e, se partissem, pagavam. Ah, isso é que pagavam!&lt;br /&gt;Formou-se um grupo à volta de cada um dos contendores de maneira a não os deixar chegar um ao outro. Estes trocam insultos e palavrões e debatem-se para se soltar e atirar-se um ao outro.&lt;br /&gt;O Zé da Burra deixou fugir duas manilhas. O senhor Manuel Gonçalves alterou-se com ele. Não  abriu pio.&lt;br /&gt;A roda dos velhos, no seu canto subiu o tom, nas imprecações contra a mocidade de hoje.&lt;br /&gt;A pouco e pouco os ânimos vão-se acalmando. O Zé Moirinho é o primeiro escapulir-se. Já na porta da rua, voltou atrás:&lt;br /&gt;- Dê-me aí um ésse gê filtre, sô Francisque!&lt;br /&gt;Estende uma nota de vinte, a mão treme. Guarda o tabaco e o troco e vai-se de vez.&lt;br /&gt;- Um cagarola daqueles armade em parve! - desabafa o Alberto em voz alto depois do outro sair.&lt;br /&gt;Ninguém lhe dá resposta.&lt;br /&gt;- Um gaje via lá... era um medricas... sempe enrascade... - a voz já mais baixa.&lt;br /&gt;Parece que todos ficaram, de repente, mudos.&lt;br /&gt;Vai-se embora sem dizer mais nada. &lt;br /&gt;- Trá lá má 'ma redada ó Chique! - arrecada cartas, esfrega as mãos, levanta a voz, o mestre Armando - Os homenz hoje na levantam uma!&lt;br /&gt;- É o mesme?&lt;br /&gt;- É o même sim, sõ quatre medronhes, o qu'é que qu'rias que fosse?&lt;br /&gt;Já ninguém na taberna fala da briga. Só os velhos, mas agora para evocarem brigas da sua própria mocidade. Nesse tempo é que era, agora são tudo uns cagarolas:&lt;br /&gt;- 'Ma vez abalámes daqui p'ró balhe daz Azenhagas. Tude a péi. Vé lá s'essa malta d'agora era capá pr'a isse. 'Ind'eram bem mas tré léguas. Chegámes lá, éramez aí uns dez ó doze e as moças só iem balhar era com a gente, hé, hé, hé... Má aquile havia lá 'ma tropa marafada qu'aquemeçarem a andá com o ôlhe na gente. Aquile armô-se lá um engavele qu'avia porrada de criá biche. Ist'aqui havia aqui 'ma tropa que na dêxava pô cuspe atrá da orelha! - escarra tabaco, cacareja, enrola cigarros, o tio Ezequiel.&lt;br /&gt;- Acenda aí a televisão, sô Francisque, qu'é p'rá gente inda ver um becade do jôgue! - levanta a voz, o Chico Zé, de entre a malta nova.&lt;br /&gt;O Chico Lázaro andou um bocado a fazer ronha. Foi até à porta e pôs-se a olhar a chuva. Para quê estar a gastar luz? Aquilo era só malta de escola que fazia pouco gasto.&lt;br /&gt;Um deles mandou vir uma rodada. Passado um bocadinho o Chico Lázaro foi ligar a televisão, mas o jogo já tinha acabado.&lt;br /&gt;Agora tudo está completamente normal: os velhos continuam a evocar as suas lembranças, os agricultores continuam a clamar do tempo, o jogo da sueca continua, o Zé da Burra já não perde todas e sente-se mais à vontade com o senhor Manuel Gonçalves.&lt;br /&gt;Os filhos do taberneiro circulam à vontade insultando um ou outro com palavrões. Os homens maduros fecham-se em silêncio reservado, os velhos comentam em voz alta que já não há educação,  a malta nova farta-se de rir e ensina-lhes mais palavrões. O Chico Lázaro ralha-lhes:&lt;br /&gt;- Na dígaz isse Felipe! Na dígaz isse Luisa!&lt;br /&gt;Eles dizem sempre e deitam a língua de fora. Ele ri-se e vai até à cozinha ver se a mulher já tem a ceia pronta.&lt;br /&gt;O Jaime, que estava sentado a um canto, levanta-se, vai até à porta ver se chove muito, pega no guarda-chuva e sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;al-Farrob &lt;br /&gt;(Estes textos, este e mais uns quantos que se seguirão, agrupados sob o título "Despertar", foram escritos em 1973 na sua ideia fundamental, depois foram sofrendo ajustes principalmente de forma e estilo e abandonados na gaveta por volta de 82.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112440623507912526?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112440623507912526/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112440623507912526&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112440623507912526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112440623507912526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/despertar-1-briga-na-taberna.html' title='Despertar - 1 - Briga na taberna'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112439062068258215</id><published>2005-08-18T19:42:00.000+01:00</published><updated>2005-08-18T19:43:40.690+01:00</updated><title type='text'>Pozo (o original)</title><content type='html'>A veces te hundes, caes &lt;br /&gt;en tu agujero de silencio, &lt;br /&gt;en tu abismo de cólera orgullosa, &lt;br /&gt;y apenas puedes &lt;br /&gt;volver, aún con jirones &lt;br /&gt;de lo que hallaste &lt;br /&gt;en la profundidad de tu existencia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor mío, qué encuentras &lt;br /&gt;en tu pozo cerrado? &lt;br /&gt;Algas, ciénagas, rocas? &lt;br /&gt;Qué ves con ojos ciegos, &lt;br /&gt;rencorosa y herida? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi vida, no hallarás &lt;br /&gt;en el pozo en que caes &lt;br /&gt;lo que yo guardo para ti en la altura: &lt;br /&gt;un ramo de jazmines con rocío &lt;br /&gt;un beso más profundo que tu abismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No me temas, no caigas &lt;br /&gt;en tu rencor de nuevo. &lt;br /&gt;Sacude la palabra mía que vino a herirte &lt;br /&gt;y déjala que vuele por la ventana abierta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ella volverá a herirme &lt;br /&gt;sin que tú la dirijas &lt;br /&gt;puesto que fue cargada con un instante duro &lt;br /&gt;y ese instante será desarmado en mi pecho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonríeme radiosa &lt;br /&gt;si mi boca te hiere. &lt;br /&gt;No soy un pastor dulce &lt;br /&gt;como en los cuentos de hadas, &lt;br /&gt;sino un buen leñador que comparte contigo &lt;br /&gt;tierra, viento y espinas de los montes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ámame, tú, sonríeme, &lt;br /&gt;ayúdame a ser bueno. &lt;br /&gt;No te hieras en mí, que será inútil, &lt;br /&gt;no me hieras a mí porque te hieres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Pablo Neruda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112439062068258215?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112439062068258215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112439062068258215&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112439062068258215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112439062068258215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/pozo-o-original.html' title='Pozo (o original)'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112438222670004961</id><published>2005-08-18T17:22:00.000+01:00</published><updated>2005-08-18T17:23:46.706+01:00</updated><title type='text'>Poço</title><content type='html'>Cais, às vezes, afundas&lt;br /&gt;em teu fosso de silêncio,&lt;br /&gt;em teu abismo de orgulhosa cólera,&lt;br /&gt;e mal consegues&lt;br /&gt;voltar, trazendo restos&lt;br /&gt;do que achaste&lt;br /&gt;pelas profunduras da tua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, o que encontras&lt;br /&gt;em teu poço fechado?&lt;br /&gt;Algas, pântanos, rochas?&lt;br /&gt;O que vês, de olhos cegos,&lt;br /&gt;rancorosa e ferida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acharás, amor,&lt;br /&gt;no poço em que cais&lt;br /&gt;o que na altura guardo para ti:&lt;br /&gt;um ramo de jasmins todo orvalhado,&lt;br /&gt;um beijo mais profundo que esse abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me temas, não caias&lt;br /&gt;de novo em teu rancor.&lt;br /&gt;Sacode a minha palavra que te veio ferir&lt;br /&gt;e deixa que ela voe pela janela aberta.&lt;br /&gt;Ela voltará a ferir-me&lt;br /&gt;sem que tu a dirijas,&lt;br /&gt;porque foi carregada com um instante duro&lt;br /&gt;e esse instante será desarmado em meu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Radiosa me sorri&lt;br /&gt;se minha boca fere.&lt;br /&gt;Não sou um pastor doce&lt;br /&gt;como em contos de fadas,&lt;br /&gt;mas um lenhador que comparte contigo&lt;br /&gt;terras, vento e espinhos das montanhas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dá-me amor, me sorri&lt;br /&gt;e me ajuda a ser bom.&lt;br /&gt;Não te firas em mim, seria inútil,&lt;br /&gt;não me firas a mim porque te feres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Pablo Neruda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não sei quem fez a tradução)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112438222670004961?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112438222670004961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112438222670004961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112438222670004961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112438222670004961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/poo.html' title='Poço'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112433529101236112</id><published>2005-08-18T04:01:00.000+01:00</published><updated>2005-08-18T04:21:31.013+01:00</updated><title type='text'>Excepção...</title><content type='html'>Desculpa-me..não resisti. É em espanhol, mas diferente. Diferente por ser Neruda... Neruda merece a transgressão. Todos merecemos de vez em quando. Perdoa-me não ter resistido a esta voz..a estas carícias, a este encantamento. Aos poemas de amor do poeta, na sua lingua natal. Ao relembrar o Carteiro de Pablo Neruda.  Las razones en nel suelo...quando los minutos se van..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puedo escribir los versos...&lt;br /&gt;Puedo escribir los versos más tristes esta noche.&lt;br /&gt;Escribir, por ejemplo:&lt;br /&gt;« La noche está estrellada,&lt;br /&gt;Y tiritan, azules, los astros, a los lejos.»&lt;br /&gt;El viento de la noche gira en el ciel y canta.&lt;br /&gt;Puedo escribir los versos más tristes esta noche.&lt;br /&gt;Yo la quise,&lt;br /&gt;y a veces ella también me quiso.&lt;br /&gt;En noches como esta la tuve entre mis brazos...&lt;br /&gt;La besé tantas veces bajo el cielo infinito.&lt;br /&gt;Ella me quiso,&lt;br /&gt;a veces yo también la queria.&lt;br /&gt;Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.&lt;br /&gt;Puedo escribir los versos más tristes esta noche...&lt;br /&gt;Pensar que no la tengo.&lt;br /&gt;Sentir que la he perdido...&lt;br /&gt;Oír la noche inmensa,&lt;br /&gt; más inmensa sin ella.&lt;br /&gt;Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.&lt;br /&gt;Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.&lt;br /&gt;La noche está estrellada&lt;br /&gt;y ella no está conmigo.&lt;br /&gt;Eso es todo. A lo lejos&lt;br /&gt;alguien canta. A lo lejos,&lt;br /&gt;Mi alma no se contenta con haberla perdido.&lt;br /&gt;Como para acercala mi mirada la busca.&lt;br /&gt;Mi corazón la busca,&lt;br /&gt; y ella no está conmigo.&lt;br /&gt;La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.&lt;br /&gt;Nosotros, los de entonces,&lt;br /&gt;ya no somos los mismos.&lt;br /&gt;Ya no la quiero, es cierto,&lt;br /&gt;pero cuánto la quise.&lt;br /&gt;Mi voz buscaba el viento para tocor su oído.&lt;br /&gt;De otro. Será de otro;&lt;br /&gt;Como antes de mis besos.&lt;br /&gt;Su voz, su cuerpo claro.&lt;br /&gt;Sus ojos infinitos.&lt;br /&gt;Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.&lt;br /&gt;Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.&lt;br /&gt;Porque en noches como ésta&lt;br /&gt;la tuve entre mis brazos.&lt;br /&gt;mi alma no se contenta con haberla perdido.&lt;br /&gt;Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,&lt;br /&gt;y estos sean los últimos versos que yo le escribo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda- Veinte Poemas de Amor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112433529101236112?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112433529101236112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112433529101236112&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112433529101236112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112433529101236112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/excepo_18.html' title='Excepção...'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112430426200455912</id><published>2005-08-17T19:38:00.000+01:00</published><updated>2005-08-17T19:45:57.136+01:00</updated><title type='text'>Duplo sentido</title><content type='html'>"&lt;br /&gt;Já não te amo.&lt;br /&gt;Estarei mentindo dizendo que&lt;br /&gt;Ainda te quero como sempre quis.&lt;br /&gt;Tenho certeza que&lt;br /&gt;Nada foi em vão.&lt;br /&gt;Sinto dentro de mim que&lt;br /&gt;Não significas nada.&lt;br /&gt;Jamais poderia dizer que&lt;br /&gt;Alimento um grande amor.&lt;br /&gt;Sinto cada vez mais que&lt;br /&gt;Já te esqueci!&lt;br /&gt;E jamais usarei a frase:&lt;br /&gt;Amo-te!&lt;br /&gt;Sinto, mas tenho que dizer a verdade&lt;br /&gt;É tarde demais...&lt;br /&gt;                  "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, agora experimentem ler de baixo para cima :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei onde encontrei isto, estava aqui no disco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112430426200455912?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112430426200455912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112430426200455912&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112430426200455912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112430426200455912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/duplo-sentido.html' title='Duplo sentido'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112420785638995020</id><published>2005-08-16T16:55:00.000+01:00</published><updated>2005-08-16T16:57:36.396+01:00</updated><title type='text'>Samba da benção</title><content type='html'>É melhor ser alegre que ser triste&lt;br /&gt; Alegria é a melhor coisa que existe&lt;br /&gt; É assim como a luz no coração&lt;br /&gt; Mas pra fazer um samba um samba com beleza&lt;br /&gt; É preciso um bocado de tristeza&lt;br /&gt; Senão não se faz um samba, não&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;br /&gt; Senão é como amar uma mulher só linda; e daí?&lt;br /&gt; Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza&lt;br /&gt; Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora&lt;br /&gt; Qualquer coisa que sente saudade&lt;br /&gt; Um molejo de amor machucado, &lt;br /&gt; Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,&lt;br /&gt; Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor&lt;br /&gt; E para ser só perdão&lt;br /&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt; Fazer samba não é contar piada&lt;br /&gt; Quem faz samba assim não é de nada&lt;br /&gt; O bom samba é uma forma de oração&lt;br /&gt; Porque o samba é a tristeza que balança&lt;br /&gt; E a tristeza tem sempre uma esperança &lt;br /&gt; De um dia não ser mais triste não...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Ponha um pouco de amor numa cadência&lt;br /&gt; E vai ver que ninguém no mundo vence&lt;br /&gt; A beleza que tem um samba não&lt;br /&gt; Porque o samba nasceu lá na Bahia&lt;br /&gt; E se hoje ele é branco na poesia&lt;br /&gt; Se hoje ele é branco na poesia&lt;br /&gt; Ele é negro demais no coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112420785638995020?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.mpbnet.com.br/musicos/vinicius.de.moraes/letras/samba_da_bencao.htm' title='Samba da benção'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112420785638995020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112420785638995020&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112420785638995020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112420785638995020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/samba-da-beno.html' title='Samba da benção'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112404948012617256</id><published>2005-08-14T20:37:00.000+01:00</published><updated>2005-08-14T20:58:00.130+01:00</updated><title type='text'>Sorriso</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/cotta-pai%20e%20filho-al-farrob-jpg.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/cotta-pai%20e%20filho-al-farrob-jpg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"...Temos de sentir que temos coisas para dizer, e por vezes leva tempo a encontrar esses sumos criativos. A descobrir o que é relevante, em que área devemos estar. Levamos algum tempo a focar-nos, até que chegamos à essência da ideia do que a banda deve ser. Este album e esta digressão têm sido muito interessantes porque nos está a revelar muitas coisas à medida que o tempo passa. Isto num tempo em que os direitos humanitários estão a ser desafiados em todo o mundo. Esse é um tema centrar do espectáculo. E nesta era em que vivemos num mundo aterrorizado, é importante não perdermos a nossa humanidade".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Excerto duma entrevista de Adam Clayton, baixista dos U2, no DN. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112404948012617256?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112404948012617256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112404948012617256&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112404948012617256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112404948012617256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/sorriso.html' title='Sorriso'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112390807663164730</id><published>2005-08-13T05:24:00.000+01:00</published><updated>2005-08-13T05:41:16.636+01:00</updated><title type='text'>Esperança</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/Sete_Cidades_Cumieiras1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/Sete_Cidades_Cumieiras1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há noites de lua cheia em todas as estações do ano mas apenas numa...só numa...se ouve o canto do rouxinol. Longe do mundo esplendorosamente caótico em que vivemos dos free shops e dos centros de saúde da quarta geração, longe de quase tudo e quase sempre perto de ti. Longe das premonições do Nostradamus e das catastrofes da civilização.&lt;br /&gt;Diz-me que estás aqui, mostra-me o teu sorriso acanhado e cheio de borbulhas e com herpes labiais que mesmo assim gosta-se de ti. Faço uma petição a teu favor quiçá para um referendo constitucional. Toda a gente te ama desalmadamente e ainda por cima em noites de lua cheia. Não podes fugir . Vamos atrás de ti aos tropeções, desgrenhados, desgarrados. Por ti, esperança.&lt;br /&gt;Tempus fugit. Est dificultorum agarrarit et cavalgarit sin tombarit. Dictus est! Pluribus osculorum .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há palavras míticas na minha memória.&lt;br /&gt;Mar, amar, beijar, pensar&lt;br /&gt;sorrisos, versos, sons de guitarra,&lt;br /&gt;crianças, liberdade, lúcias-limas,&lt;br /&gt;amoras e morangos.&lt;br /&gt;Maçãs. Mangas.&lt;br /&gt;Bocas com tangerinas,&lt;br /&gt;olhos,rituais de amor delicados,&lt;br /&gt;fortes,suaves,deliciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hás tu,&lt;br /&gt;no ar selvagem e puro&lt;br /&gt;que estilhaça um vidro, um cristal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tens na cor linda&lt;br /&gt;dos teus olhos&lt;br /&gt;todos estes aromas misturados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112390807663164730?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112390807663164730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112390807663164730&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112390807663164730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112390807663164730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/esperana.html' title='Esperança'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112387843024447523</id><published>2005-08-12T21:24:00.000+01:00</published><updated>2005-08-12T21:27:10.246+01:00</updated><title type='text'>Armação de Pêra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.al-farrob.com/photos/p0411008.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 428px;" src="http://www.al-farrob.com/photos/p0411008.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112387843024447523?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112387843024447523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112387843024447523&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112387843024447523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112387843024447523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/armao-de-pra.html' title='Armação de Pêra'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112387690871845243</id><published>2005-08-12T20:53:00.000+01:00</published><updated>2005-08-12T21:01:48.730+01:00</updated><title type='text'>A aula do Ginjeira</title><content type='html'>- O senhor compre meia-folha de papel selado e anule a matrícula, homem! Nem eu chateio o senhor nem o senhor me chateia a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era o professor Ginjeira num dos seus frequentes acessos de cólera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A malta, cá atrás nas carteiras, continha o riso a custo. Só o Pereira tinha pouca vontade de rir. O quadro já quase cheio de letras e números, de traços e setas, de sinais de mais e de menos, uma confusão pegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Nove no primeiro período, nove no segundo. Faltava-lhe onze para ir a exame. Se não fosse a matemática ainda poderia cortar. Mas a matemática ainda era maior dor de cabeça. E não podia cortar a duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O exercício não correra bem: oito.&lt;br /&gt;   Se fosse ao menos um dez, ainda podia ser que, bem esticado, rendesse o onze no fim do período. Mas oito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Tinha-se preparado bem para a chamada: duas noites quase sem dormir. Parecia-lhe que iria correr bem. Mas no quadro era diferente, os números e letras tão grandes, e facilmente se perdiam de vista. E ainda mais, tantos olhos postos nele e o Ginjeira a enervá-lo. Lá dentro sentia uma vontade surda de lhe perguntar como é que era obrigado a empinar em semanas aquilo que ele, Ginjeira, professor de Química, não conseguira aprender em anos. Sim! Que o Ginjeira estava sempre a ver no livro, e mesmo assim a meter água por todos os cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O Ginjeira passeava na sala de cenho carregado, como se fosse vítima de terríveis injustiças. Ia à janela, fixava os olhos no infinito. Voltava ao centro da sala. Ia até à porta. Soltava sopros. Voltava à janela. Mandava uma escarreta lá para fora. Voltava ao meio da sala. E, de repente, disparou:&lt;br /&gt;   - Escreva-me aí a fórmula do ácido sulfúrico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O Pereira quase deu um pulo. Pegou na esponja. Tentou escrever com ela. Pôs a esponja no tabuleiro. Pegou no giz. Coçou a cabeça. E por fim conseguiu escrever com excessiva perfeição: H2SO4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Agora toda a gente sabia o que se ia seguir. Era uma espécie de ritual. O Ginjeira terminava sempre assim os seus ataques de fúria com os alunos que eram chamados ao quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mandou o Pereira apagar o quadro e ir-se sentar. Olhou mais uma vez pela janela com olhar ausente. E foi-se sentar à secretária a remexer na caderneta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Por enquanto ninguém podia dizer nada, a não ser que quisesse apanhar imediatamente com um interminável chorrilho de insultos. Muito menos o Pereira poderia perguntar o que fosse sobre o valor da chamada. No fim do período logo saberia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O Ginjeira era licenciado em farmácia. Desde a licenciatura sempre fora professor do ensino secundário. Leccionava Física e Química aos cursos industriais desde 65, havia quatro anos.&lt;br /&gt;Antes, e durante mais de quinze anos fora professor de Geografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Foi por essa época que, estando um dia a bronzear-se na praia de Armação de Pêra, a dado momento se levantou, e, com ar imponente, informou os acompanhantes:&lt;br /&gt;   - Vou dar um mergulho no Mediterrâneo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   E lá se foi direito ao mar.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;   --&lt;br /&gt;   Setembro, 73&lt;br /&gt;   al-Farrob&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112387690871845243?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112387690871845243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112387690871845243&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112387690871845243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112387690871845243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/aula-do-ginjeira.html' title='A aula do Ginjeira'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112360985634757675</id><published>2005-08-09T18:27:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T22:11:40.660+01:00</updated><title type='text'>Greve dos médicos, um erro colossal</title><content type='html'>Tendo-me a profissão médica sempre inspirado, como aliás creio que à maioria dos mortais, um misto de admiração e respeito, quase a raiar a veneração, é com grande apreensão que vejo, neste momento, o desenrolar da presente greve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciente das minhas limitações na compreensão do assunto e admitindo antecipadamente poder estar enganado nas minhas análises, devido à minha deficiente formação académica, não queria no entanto deixar de exprimir algumas dúvidas que me assaltam, na modesta convicção de poder de algum modo contribuir para o prestígio da profissão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não se pense que vou repetir argumentos por demais gastos, quase sempre imbuídos de moralismos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não! O que sempre me tem fascinado é a capacidade da profissão médica de zelar pelo seu próprio prestígio e consequente garantia do futuro. Veja-se o afinco com que sempre trata de tornar transparentes os procedimentos dos seus membros, derrotando sucessivamente, num saudável espírito de classe, as várias tentativas de denegrir a profissão, vindas sempre de gente sem escrúpulos, com obscuros desígnios. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É por isso que me aflige neste momento a conduta da "classe", resvalando para comportamentos, na minha opinião, contrários aos seus interesses. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que me move é uma tentativa de fazer compreender aos médicos o alcance do seu erro. Passo a explicar: &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em primeiro lugar, perigo dos perigos. Com o passar dos meses à espera de consulta, cerca de uma terça parte (estimativa por alto, falha port anto de rigor científico) dos pacientes podem descobrir que afinal não precisam do médico, porque entretanto se curaram naturalmente. A verificar-se esta previsão calcule-se o rombo na futura clientela. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em segundo lugar, se os pacientes não tiverem consulta e não tomarem, portanto, os medicamentos  ficarão livres dos efeitos secundários tão necessários à sua conservação como pacientes. E lá se vai outro terço dos ex-futuros clientes. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em terceiro lugar, a ausência de tão grande quantidade de pacientes nos centros médicos, irá certamente afastar muitos outros que lá vão, mais para estarem acompanhados. Uns e outros passarão certamente a acompanhar-se noutros locais (jardins, mercados, etc.). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que me dói, é que a "classe" não perceba que se está assim a arruinar. Todas as profissões têm que zelar pelo seu próprio futuro. Se o não fizerem, quem o fará? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Veja-se o caso exemplar dos advogados. Têm sempre o cuidado de se fazer representar em peso, lá, onde se fazem as leis. Imagine-se que as leis saíam claras e objectivas, a "classe" ia viver de quê? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já o caso dos economistas, também me levanta dúvidas. Pois se são quase unânimes em garantir que  o mercado, e só ele, governa a economia. Se os patrões começarem a pensar, talvez os despeçam a todos, por desnecessários. Bem, mas o que me trouxe aqui, foi a greve dos médicos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Convicto de que algumas mentes menos bem formadas irão tentar ler nestas linhas outras intenções que não as melhores, quero desde já denunciar aqui essa gente, arrumando-os na mesma prateleira de todos aqueles que tantas vezes acusam a Profissão, desde negligência a corrupção, passando por incompetência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que como todos sabem sempre se tem provado não ter qualquer fundamento! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezembro, 98&lt;br /&gt;al-Farrob&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;NOTA: No último trimestre de 98 arrastava-se a greve dos médicos, que se debatiam, entre outros, com o problema de não se conseguirem fazer entender pela população em geral. O epíteto de "erro colossal" tinha sido atribuído pelo Dr. Mário Soares à regionalização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos grandes resultados deste texto foi uma amizade com uma médica que se deu ao trabalho de me explicar as razões da greve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foi a minha primeira participação na net, mais precisamente na usenet. Sob o pseudónimo de "Varela da Luz", pode ser lida &lt;a href="http://groups.google.pt/group/pt.geral/browse_thread/thread/d2cdb2f0b3c8c134/78ce0a910005a1be?lnk=st&amp;q=%22greve+dos+m%E9dicos%22&amp;rnum=1&amp;hl=pt-PT#78ce0a910005a1be"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112360985634757675?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112360985634757675/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112360985634757675&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112360985634757675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112360985634757675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/greve-dos-mdicos-um-erro-colossal.html' title='Greve dos médicos, um erro colossal'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15193898.post-112343643711002543</id><published>2005-08-07T18:35:00.000+01:00</published><updated>2005-08-09T18:21:56.186+01:00</updated><title type='text'>Brisas no Alentejo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.al-farrob.com/photos/p0412027.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 428px;" src="http://www.al-farrob.com/photos/p0412027.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o vento norte&lt;br /&gt;mas porque sorte&lt;br /&gt;te encontrei&lt;br /&gt;nem sei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tuas searas ondeio&lt;br /&gt;os teus vales vou lambendo&lt;br /&gt;as planícies, os outeiros&lt;br /&gt;teus barrancos, teus ribeiros&lt;br /&gt;teus recantos conhecendo&lt;br /&gt;todos&lt;br /&gt;no verde do trigo as papoilas&lt;br /&gt;quais teus lábios&lt;br /&gt;todos&lt;br /&gt;as abelhas&lt;br /&gt;quais os meus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora já não&lt;br /&gt;não sou o vento norte&lt;br /&gt;mas seu irmão&lt;br /&gt;o suão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagaroso&lt;br /&gt;chego à mina&lt;br /&gt;fértil&lt;br /&gt;húmida, quente&lt;br /&gt;desço? lentamente&lt;br /&gt;desço, subo&lt;br /&gt;subo, desço&lt;br /&gt;eu na mina, a mina em mim&lt;br /&gt;ferozmente&lt;br /&gt;quente, quente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem a ceifa&lt;br /&gt;a vez do pão&lt;br /&gt;sonante&lt;br /&gt;suante&lt;br /&gt;turbulenta&lt;br /&gt;rebenta&lt;br /&gt;prostrante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou o suão&lt;br /&gt;já não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a brisa do mar&lt;br /&gt;devagar&lt;br /&gt;afagar, afagar&lt;br /&gt;e os meus lábios&lt;br /&gt;quais abelhas&lt;br /&gt;afagar, a falar&lt;br /&gt;ao sol-pôr&lt;br /&gt;meu Amor&lt;br /&gt;a falar, afagar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Julho 99&lt;br /&gt;al-Farrob&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTA: Não sou poeta! Este poema foi o único que alguma vez fiz e nasceu de um desafio aqui na net, mais precisamente na usenet. Sob o pseudónimo "traquinas", em diálogo com a "cláudia", personagem interpretada por uma amiga que não vejo há muito. Pode ser lido &lt;a href="http://groups.google.pt/group/pt.conversa/browse_thread/thread/5f63a8ee65a2498b/010d71eac688017f?lnk=st&amp;q=%22brisas+no+alentejo%22&amp;rnum=1&amp;hl=pt-PT#010d71eac688017f"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15193898-112343643711002543?l=cotta-club.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cotta-club.blogspot.com/feeds/112343643711002543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15193898&amp;postID=112343643711002543&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112343643711002543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15193898/posts/default/112343643711002543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cotta-club.blogspot.com/2005/08/brisas-no-alentejo.html' title='Brisas no Alentejo'/><author><name>al-Farrob</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09090353878695350681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://www.al-farrob.com/pics/myself.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
